segunda-feira, 26 de maio de 2008

Analisando: "Mitos, emblemas, sinais (Morfologia e História)"


Esta presente no capitulo “Notas sobre um problema de método” do livro “Mitos, emblemas, sinais (morfologia e história)” do escritor e historiador Carlos Ginzburg, uma preocupação e uma dedicação para a especulação a respeito do “Instituto Warburg” e, sobretudo, sobre o método “warburguiano”.
Aby Warburg que fora um historiador das artes, e principalmente da arte alemã, nutria-se de interresses pelas práticas de magia e/ou mágicas de determinadas sociedades passadas, e via o Renascimento como sendo o percussor da uma nova modernidade, trazendo átona diversas descobertas entre o universo artístico, as novidades científicas e um binômio do paganismo versus cristianismo, que voltaria mais tarde com os paradoxos do Barroco. “Um paganismo de caráter dionisíaco havia renascido neste período da historia da arte”. Warburg, mesmo sendo um admirador da medicina, foi um estudante de arqueologia, e que envolto sua loucura e profunda depressão, dão vazão em seu pensamento para o estudo aprofundado da astrologia e as julga como sendo os primeiros passos à modernidade.
Mas do que realmente o autor quer tratar, é justamente sobre o método warburguiano, uma concepção de contemplação da imagem, justamente porque em um acumulado de textos e outros artigos de estudo e conhecimento, são as imagens quem mais atraem o olhar e chamam atenção. O que é de fato interessante, e que o autor nos incita a pensar, é nas nossas próprias praticas de atualização. “A própria palavra ‘atualização’ assumiu, entre nós, uma conotação muitas vezes frívola ou superficial: atualizamo-nos apressadamente, e tudo continua como antes”. Com este pensamento o autor nos remete a superficialidade e a mutação constante das pessoas, estamos em continuo movimento e dinamismo, e é por causa deste dinamismo que muitas vezes não nos aprofundamos em nossos novos conhecimentos, o tempo todo estamos em busca do novo e acabamos nos tornando superficiais e de práticas e atitudes passageiras, e não menos indissolúveis e efêmeras.
Uma das grandes contribuições, diga-se de passagem, para própria humanidade proporcionada por Warburg, foi sem dúvida a “Biblioteca Warburg” que por motivos ‘políticos’ se transformara posteriormente em Instituto Warburg, situado na cidade de Londres conta com um acervo considerável de estudos não apenas pessoais do próprio Aby Warburg, mas também de outras áreas do conhecimento.

Análisando "A Linguagem Indireta e as Vozes do Silêncio"


“A linguagem diz, e as vozes da pintura são as vozes do silêncio.” (Merleau-Ponty


Para quem teve o mínimo de curiosidade de ler os textos do filosofo Merleau-Ponty percebeu que sua linguagem é densa e um tanto quanto hermética. Já que estamos falando de linguagem, tentemos agora penetrar no mundo denominado de “A linguagem Indireta e As Vozes do Silêncio”, um texto que trata das diferenças entre os termos e que nos interpela de modo que pensemos na linguagem como sendo um resultado da diferenciação entre os signos. Ele nos faz pensar que ela (a linguagem) se é entendível a partir do momento em que partimos das partes ao todo. O que Ponty deixa claro em seu texto, quanto à linguagem da criança, é que para a mesma, a palavra tem sentido de frase e que os fonemas poderiam representar palavras, logo a partir desta analise podemos dizer que a criança fala e que em seguida só aprende a aplicar diversamente o princípio da fala.
O pensamento esta continuamente ligado a linguagem, justamente porque o sentido é o movimento total da fala, a linguagem é muito mais que um mero meio, segundo o pensamento de Ponty, ela funciona como um “ser”, o exemplo citado pelo autor, para justificar essa afirmação é da fala de um amigo ao telefone, que consegue por instantes, de modo visionário transportar o receptor a presença do emissor e vice-versa. Por isso ela atravessa, como o gesto ultrapassa seus pontos de passagem. Na verdade, os gestos são meios de intensificarem e dizerem algo, que pressupõe que a fala não seja capaz de dizer e expressar. Porém, a linguagem é naturalmente, autônoma e, se lhe ocorre significar diretamente um pensamento, trata-se de uma ocorrência secundária, derivada de sua vida interior.
O autor exprime no texto a relação do pintor e do escritor, quanto sua expressividade. O pintor nos remete ao mundo tácito das cores e linhas, quando gostamos da obra, a mesma nos remete a uma decifração informulada em nossas mentes. Já o escritor, utiliza de signos já existentes e elaborados, em um universo já falante, ele trabalha preocupando-se unicamente com a linguagem e em sua trilha vê-se rodeado de sentido. Uma observação pertinente é a de Malraux, que diz que a pintura e a escrita se reconhecem como duas figuras da mesma tentativa. Ele tece a historia da arte e da poesia, nos apresentando contextos passados onde as duas serviram de suporte para os mesmos fins, fins estes muitas vezes preso ao campo do sagrado e religioso, elas tinham objetivos em comuns, fazendo-nos pensar que a palavra só tem por função redescobrir a justa expressão previamente conferida a cada pensamento por uma linguagem das próprias coisas. Malraux trabalhará também com a percepção. A utilização das técnicas, cores, tipos de tintas e perspectivas, fez com que a de arte se torna-se cada vez mais próxima do real, isso é bem destacado na pintura clássica, onde temos a perfeição na representação de algo, enganando os nossos sentidos e percepções.
Mas o que o autor quer deixar claro, é que tanto a pintura, quanto a fala e a linguagem propriamente dita, surge da necessidade humana de dizer algo, de expressar sentidos e sentimentos, de dar valores ao invisível presente em um mundo real. “Precisamos enfim considerar a palavra antes que seja pronunciada, contra o fundo do silêncio que sempre a envolve e sem o qual nada diria, ou desvendar ainda os fios de silêncio que a enredam”.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Análise do texto "A Dúvida de Cézanne"


Texto: A Dúvida de Cézanne

Autor: Merleau-Ponty


Para quem pôde ler, apreciar e a analisar O Olho e o Espírito, texto também de Merleau Ponty, provavelmente observou a presença de paradoxos sobre a percepção da pintura. Agora em A Dúvida de Cézanne, Ponty parece se preocupar em falar sobre a expressão do pintor e em encontrar a alternativa temática a partir de onde construirá uma nova interpretação sobre a natureza da linguagem dissolvendo assim o paradoxo fenomenológico entre as evidências primordiais e as significações constituídas. Ao falar de Cézanne, ele trata de acontecimentos tais como: a perda dos contatos dóceis com os homens, a incapacidade de dominar situações novas, fuga nos hábitos, a oposição rígida entre teoria e prática e sua solidão, que nada mais representam que sintomas de uma esquizoidia. Ele interpreta o corpo do pintor, Cézanne em especifico, como um médium e nos passa uma lógica de que se o mundo sensível o rodeia e logo possibilita-o. O que percebemos da opinião de Ponty é que para ele, o motivo do pintor não deve se preocupar e confundir com perspectivas, geometrias e outros conhecimentos, e sim, com a paisagem na sua totalidade, e sobretudo, olhar para o mundo e mantê-lo como é. O que se observa sobre o pintor quanto ao comportamento e a seu corpo é que ele se oferece ao universo e o transforma em pintura. Outra observação interessante esta posta quando Cézanne diz: a arte a e a natureza não são diferentes? Gostaria de uni-las. Coloco essa apercepção na sensação e peço á inteligência para organizá-las com a obra. O que percebemos, é a tentativa de querer tornar visível o invisível, incitando uma troca de papéis entre arte e natureza, entre o pintor e a paisagem. Neste desejo de totalidade Cézanne realiza o paradoxo de sua pintura: Busca a realidade sem abandonar a sensação sem outro guia senão na impressão imediata, sem delimitar os contornos, sem enquadrar a cor pelo desenho, sem compor a perspectiva nem o quadro. Assim, sua pintura se apresenta e se difere dos impressionistas, cujas pinturas apresentavam a atmosfera e da divisão de tons, Cézanne não quer o desaparecimento peso dos objetos, mas quer reencontrá-lo por trás da atmosfera. Para tanto utiliza as cores: vermelho, amarelo, azul, verde e preto, tentando proporcionar com estas combinações de cores o indivisível. É notável a observação de Ponty sobre o comportamento de Cézanne, o autor cita que Cézanne nunca estava no centro dele mesmo, assim ele faz da tela um espaço de fuga, um espaço de emoção sobre a realidade e de liberdade realizando na tela com a utilização das cores sua troca de papeis e isso faz com que o torna-se visível, vidente que se dá através do pintar. O mais instigante esta por parte de Merleau-Ponty, que consegue encontrar semelhanças entre sua filosofia e as pinturas do Cézanne. Tal como as pinturas, o real é movimento, caracterizando o eterno vir-a-ser da condição humana sem sair nunca de nossas vidas.

Analisando "O olho e o espiríto"


Análise do texto: O olho e o espiríto
Autoria de Merleau-Ponty


De ínicio é bom lembrarmos que para Merleau Ponty a ciência pode nos proporcionar uma visão de mundo objetiva e de certo ponto interessante. Mas, muito contrário do pensamento platônico que visava, sobretudo, a racionalidade, Ponty é um admirador e defensor do mundo sensível. Ele inicia seu texto criticando o idealismo sobre a ciência e o pensar. Discorre que dilemas seriam superados caso a ciência se visse como construção sobre a base de um mundo bruto, não desmistificando as coisas e as tratando como objetos comuns. Em seu pensamento, Ponty pressupõe que se temos um mundo como sendo o objeto de nossas intervenções, significaria que tudo que existiu, jamais tivesse existido senão para pertencer ao mundo da ciência e/ou dos laboratórios. Logo, há um confronto entre o realismo e o idealismo, sendo que o primeiro elimina o sujeito e a realidade é verdadeira, por outro lado, no segundo o mundo é eliminado dando vez ao sujeito como operador do conhecimento. Assim, surge uma nova linha de raciocínio, que nos faz pensar que estamos em um mundo que por ser mais velhos que nós, não espera o sujeito do conhecimento para se concretizar, porem o sujeito do conhecimento é capaz de modificar e dar sentido a este mesmo mundo qualitativo de cores, seres, lembranças e sentimentos. O texto vem estabelecendo relações e observação do mundo, sobretudo, através da pintura. Há uma especulação do mundo através das mãos e dos olhos do artista, em nosso caso mais especifico, do pintor. O corpo do pintor é entregue aos mundos, rede de causas e efeitos, um modo de ser e estar no mundo, de se relacionar com ele. É corpo sensível que sente e se sente que sabe de sentir sentindo e assim o transforma em pintura O mundo Visível e o mundo dos meus projetos motores são partes totais do mesmo ser. (Merleau Ponty).
Para Ponty o corpo é depositário, ou seja, vai muito além dos sentidos de visão e tato; o espaço é contado como grau zero da espacialidade e não uma rede de relações entre objetos; o mundo está ao redor e não distante, porém não faz com que visão perca seu lado imaginário. Na visão do Autor o olho do espelho seria o emblema do olhar do pintor, ou seja, há uma elevação do sensível que ele traduz e duplica se diferindo de um cartesiano que pensa no espelho como um produtor de efeitos irreais. Mesmo o autor não concordando com Descartes o coloca no texto, pois o que interessa é pensarmos e analisarmos que toda história da pintura é metafísica. A visão fenomenológica esta presente no texto, portanto o olhar das dimensões se faz automaticamente presente. Quando vejo através da espessura da água o revestimento dos azulejos no fundo da piscina, não o vejo apesar da água, dos reflexos, vejo-os justamente através deles, por eles. Se não houvesse essas distorções, se eu vise sem essa carne à geometria dos azulejos, então é que deixaria de vê-los como são, onde estão, a saber: mais longe que todo lugar idêntico. A própria água, a força aquosa, o elemento viscoso brilhante, não posso dizer que esteja no espaço;ela não está alhures ,mas também não está na piscina .Ela a habita ,materializa-se ali ,mas não está contida ali,e esse ergo os olhos em direção ao anteparo de ciprestes onde brinca a trama de reflexo ,não posso contestar que a água a visita também,ou pelo menos a ela envia a sua essência ativa e viva .É essa animação interna ,essa irradiação do visível que o pintor procura sob os nome de profundidade ,espaço ,cor. (Merleau Ponty).
Ao observarmos este trecho, o autor diz ver os azulejos apesar dos meios externos (ondulações, reflexos da água, espelhamentos) separando o todo, distinguindo o que é fundamental. Dividindo a piscina em partes diversas (água, forma da piscina, azulejo) e separáveis. A profundidade é a experiência da reversibilidade das dimensões. A altura, largura são abstratas de uma voluminosidade que exprimimos numa palavra ao dizer que uma coisa está aí. A mesma não é terceira dimensão, é o invisível da visibilidade. As faces de um cubo são o invisível do cubo, enquanto pelo que ele se fez uma coisa visível o invisível não é o negativo, mas aquilo pelo que o visível é visível. Seu avesso estofo, sua ausência que conta no mundo. “O invisível é o forro que atapeta o visível”. O que ocorre com a pintura, e com o pintor, é uma introspecção de questionamentos infundados em uma filosofia ideológico e de cunho sensível, ele não apenas a reproduz, ele questiona, através da imagem, idéias e conceitos, ou seja, um olhar intelectual. O que de fato o texto nos induz, é uma jornada entre o olho e o espírito, interrogando a experiência do ver e do olhar, e, sobretudo, do sentir.

O porquê do Blog..


Pessoal, como estudante de Comunicação "Audiovisual", é preciso que eu esteja no mínimo inteirado com as novas tecnologias, e sobretudo, as possibilidades que estas nos proporcionam. Já tive vontade de ter um blog antes, mas por falta de incentivo, e pela modorrenta preguiça que nos consome nunca tinha feito. Até que o professor de Teorias da imagem sugeriu a ideia, e estou aderindo sua proposta. Pretendo que seja um espaço de grande acréscimo para os leitores e para mim também, que postarei aqui, textos de minha autoria e observações pertinentes sobre o nosso ciclo, como diria Falcão o nosso "Rodo Cotidiano".