segunda-feira, 19 de maio de 2008

Análise do texto "A Dúvida de Cézanne"


Texto: A Dúvida de Cézanne

Autor: Merleau-Ponty


Para quem pôde ler, apreciar e a analisar O Olho e o Espírito, texto também de Merleau Ponty, provavelmente observou a presença de paradoxos sobre a percepção da pintura. Agora em A Dúvida de Cézanne, Ponty parece se preocupar em falar sobre a expressão do pintor e em encontrar a alternativa temática a partir de onde construirá uma nova interpretação sobre a natureza da linguagem dissolvendo assim o paradoxo fenomenológico entre as evidências primordiais e as significações constituídas. Ao falar de Cézanne, ele trata de acontecimentos tais como: a perda dos contatos dóceis com os homens, a incapacidade de dominar situações novas, fuga nos hábitos, a oposição rígida entre teoria e prática e sua solidão, que nada mais representam que sintomas de uma esquizoidia. Ele interpreta o corpo do pintor, Cézanne em especifico, como um médium e nos passa uma lógica de que se o mundo sensível o rodeia e logo possibilita-o. O que percebemos da opinião de Ponty é que para ele, o motivo do pintor não deve se preocupar e confundir com perspectivas, geometrias e outros conhecimentos, e sim, com a paisagem na sua totalidade, e sobretudo, olhar para o mundo e mantê-lo como é. O que se observa sobre o pintor quanto ao comportamento e a seu corpo é que ele se oferece ao universo e o transforma em pintura. Outra observação interessante esta posta quando Cézanne diz: a arte a e a natureza não são diferentes? Gostaria de uni-las. Coloco essa apercepção na sensação e peço á inteligência para organizá-las com a obra. O que percebemos, é a tentativa de querer tornar visível o invisível, incitando uma troca de papéis entre arte e natureza, entre o pintor e a paisagem. Neste desejo de totalidade Cézanne realiza o paradoxo de sua pintura: Busca a realidade sem abandonar a sensação sem outro guia senão na impressão imediata, sem delimitar os contornos, sem enquadrar a cor pelo desenho, sem compor a perspectiva nem o quadro. Assim, sua pintura se apresenta e se difere dos impressionistas, cujas pinturas apresentavam a atmosfera e da divisão de tons, Cézanne não quer o desaparecimento peso dos objetos, mas quer reencontrá-lo por trás da atmosfera. Para tanto utiliza as cores: vermelho, amarelo, azul, verde e preto, tentando proporcionar com estas combinações de cores o indivisível. É notável a observação de Ponty sobre o comportamento de Cézanne, o autor cita que Cézanne nunca estava no centro dele mesmo, assim ele faz da tela um espaço de fuga, um espaço de emoção sobre a realidade e de liberdade realizando na tela com a utilização das cores sua troca de papeis e isso faz com que o torna-se visível, vidente que se dá através do pintar. O mais instigante esta por parte de Merleau-Ponty, que consegue encontrar semelhanças entre sua filosofia e as pinturas do Cézanne. Tal como as pinturas, o real é movimento, caracterizando o eterno vir-a-ser da condição humana sem sair nunca de nossas vidas.

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